Agora é a vez da beterraba
O Programa Brasileiro para a Modernização da Horticultura é um programa de adesão voluntária e de auto-regulamentação setorial, que surgiu em 1997, como Programa Paulista para melhoria dos Padrões Comerciais e de e de Embalagens de Hortigranjeiro, fruto da decisão da Câmara Setorial de Frutas e da Câmara Setorial de Hortaliças, Cebola e Alho da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.Em 2000, atendendo à demanda de outros estados brasileiros, tornou-se um programa de atuação nacional. A atual denominação se deve à necessidade de uma ação mais profunda e abrangente de modernização da cadeia de produção de frutas e hortaliças frescas. O Centro de Qualidade em Horticultura da CEAGESP é o responsável pela operacionalização do Programa, desde o seu inicio.
O Centro de Qualidade em Horticultura que iniciou o seu trabalho com o desenvolvimento das normas de classificação, hoje desenvolve atividades de sensibilização, capacitação e apoio a todos os elos da cadeia de produção, especialmente o produtor, com o objetivo de alavancar a transparência na comercialização e a modernização da cadeia.
Hoje as normas desenvolvidas pelo Centro de Qualidade em Horticultura compreendem as frutas e hortaliças responsáveis por mais de 90% do volume comercializado fresco.
As normas de classificação são o instrumento de caracterização e descrição do produto na sua comercialização, a sua linguagem de qualidade. A obediência à uma boa norma de classificação garante, homogeneidade visual de tamanho coloração e maturação e a obediência a padrões mínimos de qualidade.
Já existem 33 produtos com normas de classificação: abacaxi, banana, caqui, goiaba, laranja, lima ácida tahíti (limão), maracujá azedo, mamão, manga, melão, pêssego e nectarina, tangerina, uva fina e uva rústica, alface, batata, berinjela, cebola, cenoura, couve-flor, mandioquinha-salsa, morango, pepino, pimentão, quiabo e tomate.
Agora é a vez da beterraba.
A Cultura da Beterraba
Nos últimos anos a produção no Estado de São Paulo vem sofrendo fortes oscilações e no ano de 2004 para 2005 teve a maior queda na produção, que foi de 115.722,19 t foi para 88.789,03 t. A grande maioria dos produtores de beterraba, cerca de 93% se encontra nas regiões de Sorocaba, Mogi das Cruzes e São João da Boa Vista e outros 5% estão localizados em São Paulo, Campinas, Presidente Prudente, Pindamonhangaba, Bragança Paulista, Piracicaba e Assis.
A produtividade média é de 30 a 40 toneladas por hectare, sendo que os preços mais elevados ocorrem normalmente de fevereiro a junho em razão da menor oferta. No Brasil, os maiores produtores são os estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Tabela 1- Produção no Estado de São Paulo
Região Agrícola |
Produção (t) |
Ano |
2001 |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
Sorocaba |
32.745,60 |
27.518,40 |
31.718,88 |
53.305,92 |
31.176,00 |
Mogi das Cruzes |
30.416,95 |
31.232,95 |
31.232,95 |
31.220,95 |
30.495,67 |
São João da Boa Vista |
18.501,12 |
18.275,52 |
17.879,52 |
18.659,16 |
21.164,40 |
São Paulo |
7.755,12 |
7.387,92 |
7.353,60 |
7.608,72 |
1.356,96 |
Campinas |
769,92 |
769,92 |
774,72 |
785,28 |
769,92 |
Presidente Prudente |
576,00 |
576,00 |
576,00 |
576,00 |
576,00 |
Pindamonhangaba |
439,80 |
710,40 |
304,20 |
1.144,32 |
521,40 |
Bragança Paulista |
100,80 |
100,80 |
351,36 |
394,56 |
513,84 |
Piracicaba |
216,00 |
432,00 |
432,00 |
432,00 |
432,00 |
Assis |
48,00 |
300,00 |
300,00 |
300,00 |
300,00 |
Total |
93.726,43 |
88.993,46 |
92.753,42 |
115.722,19 |
88.789,03 |
Fonte: IEA, 2006.
A beterraba de cor vermelha é a mais comercializada no Brasil.
O ponto de colheita é atingido quando a maioria das beterrabas apresenta o tamanho preferido (tamanho médio, com 200 a 300g cada uma), não estando ainda completamente desenvolvidas. Nem todas as beterrabas atingem o ponto ideal ao mesmo tempo e, a colheita prolonga-se por alguns dias, normalmente parceladas em três vezes. Se o preço for desfavorável, a beterraba pode permanecer ate 15 dias no solo, após esse período, ela torna-se fibrosa, com aspecto grosseiro e aspecto indesejável. São lavadas e secas à sombra, sendo a parte aérea cortada rente, aparando-se as raízes pivotantes.
Quando preparadas são embaladas e comercializadas em caixas tipo K, mas pode ser também comercializadas em menores quantidades em maços com folhas sendo um produto mais valorizado e de menor volume de comercialização.
No Entreposto Terminal de São Paulo da CEAGESP são comercializados com um volume igual a 28% da produção total paulista de beterraba do estado de São Paulo, estimada em 25 milhões de toneladas de beterrabas.
A tabela 2 mostra a variação de volume de entrada e preço em cada mês dos anos de 2005 e 2006 no Entreposto Terminal de São Paulo da CEAGESP, percebendo um aumento significativo na entrada de beterraba no ano de 2006, exceto no mês de Abril onde teve uma queda.
Tabela 2 - Preços médios e quantidades mensais
Biênio -Preços médios e quantidades mensais |
Produto: Beterraba Unidade Cx k 20,00kg |
Mês |
2005 |
2006 |
|
Preço/Kg |
Toneladas |
Preço/Kg |
Toneladas |
Janeiro |
12,57 |
106.839 |
10,85 |
133.636 |
Fevereiro |
19,15 |
90.904 |
11,31 |
119.735 |
Março |
18,45 |
110.287 |
11,44 |
127.683 |
Abril |
19,32 |
129.861 |
13,20 |
112.745 |
Maio |
17,43 |
106.115 |
15,20 |
121.955 |
Junho |
18,04 |
90.991 |
13,18 |
114.479 |
Julho |
14,05 |
94.992 |
11,46 |
112.681 |
Agosto |
10,73 |
124.609 |
10,22 |
140.103 |
Setembro |
8,88 |
123.913 |
8,78 |
130.935 |
Outubro |
8,17 |
118.912 |
- |
- |
Novembro |
8,17 |
12,215 |
- |
- |
Dezembro |
12,74 |
115.172 |
- |
- |
Total |
167,70 |
1.224.810 |
105,64 |
1.124.052 |
Média Mensal |
13,98 |
102.068 |
11,74 |
124.895 |
Fonte: SIM/CEAGESP
Desenvolvimento das normas de classificação de beterraba
Um levantamento preliminar mostrou que:
•Os atacadistas utilizam diferentes padrões de classificação e diferentes nomenclaturas de identificação da qualidade e tamanho do produto ;
•Os atacadistas desconhecem as diferentes variedades de beterraba e suas características;
•A variedade de beterraba não é identificada no rótulo, quando ele existem;
•A classificação é feita pelo produtor ou pelo proprietário do equipamento de lavagem e embalamento e não existe padrão comum.
Metodologia
- Levantamento bibliográfico das normas de classificação da beterraba e padrões de qualidade já existente no mundo;
- Levantamento do sistema de valoração da beterraba no ETSP, das características que valorizam e desvalorizam o Produto;
- Visita técnica a produtor de beterraba para acompanhamento do processo de colheita, classificação e embalagem e levantamentos dos principais problemas na pós – colheita;
- Mensuração das características das beterrabas de três atacadistas com sistema diferentes de classificação. Foram medidas 1798 beterrabas (arquivos anexos).
- Identificação das variedades de beterrabas existentes e as comercializadas na CEAGESP e as características de cada uma;
- Estudo da ocorrência e gravidade dos defeitos do produto e sua caracterização;
- Identificação das causas dos defeitos;
- Remessa dos defeitos com causa não identificada ao Instituto Biológico e a EMBRAPA;
- Elaboração de proposta de norma de classificação;
- Colocação da proposta da norma em consulta pública (CEAGESP, Hortibrasil, Associação Brasileira de Horticultura (ABH), Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort)).
- Remessa da norma para manifestação aos principais pesquisadores e técnicos identificados como especialistas em beterraba.
Norma de Classificação da Beterraba
Questionário
defeito baixinho 1A
defeito baixinho 2AX
defeito baixinho grauda
defeito Canela graúda ago 2006
defeito senaga boca 5
defeito senaga boca 8
defeito senaga boca 9
defeito senaga boca 10
defeitos baixinho 2A
defeitos baixinho 3A
defeitos baixinho diversas
defeitos Canela 1A ago 2006
defeitos Canela 2A ago 2006
defeitos senaga boca7
Colabore conosco. Dê a sua sugestão para melhorar a proposta das “Normas de Classificação da Beterraba”. cqh@ceagesp;gov.br |
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