A virose e a sobrevivência do maracujá paulista PDF Imprimir E-mail
Novidades no Mercado - Frutas e Hortaliças Frescas
Escrito por Colaboradores   
Sáb, 12 de Dezembro de 2009 13:12
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A virose e a sobrevivência do maracujá paulista
Algumas considerações
Algumas recomendações
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O maracujazeiro é uma espécie trepadeira, originária da América tropical e pertencente à família Passifloraceae.

Os maracujás mais comuns encontrados no mercado atacadista são conhecidos como azedo e doce. O volume de frutas comercializado na CEAGESP em 2008 foi de 1,6 milhões de toneladas, o maracujá ocupou o 13º lugar no comércio de frutas, com 2,4% deste volume (39 mil toneladas). O maracujá azedo representou 98% do maracujá com 38 mil toneladas e o maracujá doce 2% com 1 mil toneladas.

O Brasil é o maior produto mundial de maracujá, com produção concentrada na região Nordeste, responsável por 68% da quantidade produzida em 2008 - 465.925 toneladas (IBGE). O estado da Bahia produziu 59% da produção do Nordeste com 275.445 toneladas e os municípios de Dom Basílio e Livramento foram responsáveis por 27 e 16% da produção da Bahia, com 75 mil e 45 mil toneladas, respectivamente.

Os principais estados responsáveis pela entrada de maracujá azedo na CEAGESP de São Paulo em 2008 foram: Bahia (56%), São Paulo (20%), Espírito Santo (12%) e Santa Catarina (6%). Eles garantam o abastecimento do maracujá ao longo do ano. A oferta baiana está concentrada nos meses de agosto, setembro e outubro, que acumulam 46% do volume anual. A oferta capixaba está concentrada nos meses de novembro, dezembro, janeiro, fevereiro e março, que acumulam 77% do volume anual. A oferta catarinense está concentrada nos meses de março, abril, maio e junho que acumulam 87% do volume anual. A oferta paulista está muito concentrada meses de janeiro, fevereiro, março e abril, que acumulam 70% do volume total.

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A cultura do maracujazeiro está passando por grandes transformações e as principais razões são as doenças que atacam o maracujazeiro.

A principal doença do maracujazeiro é conhecida como Endurecimento dos frutos (Passion Fruit woodiness vírus), virose que ataca plantas e frutos. Ela foi detectada em diferentes regiões, a partir da década de 70, restritas à região nordeste. Só foi detectada nas regiões de São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Goiás e Paraná na década de 80.

As plantas viróticas têm longevidade menor, nanismo acentuado, clareamento das nervuras, rugosidade, bolhas, má formação da planta até embolhamento da folha, produtividade muito reduzida. O vírus provoca a diminuição do tamanho, defeitos graves de formato endurecimento e espessamento do pericarpo e até a rachadura dos frutos. Os sinais aparentes da doença impedem a comercialização dos frutos atacados.


Algumas considerações podem ajudar na discussão da atual situação:

  1. Houve diminuição drástica da produção da região sudeste e paulista, com queda de 28% de 2004 para 2007 e crescimento de 50% da produção nordestina no mesmo período.

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  1. O fruto com virose que chega a ser colhido é classificado como descarte e o seu preço é muito menor que o da melhor classificação e só é aceito nas épocas de grande escassez no mercado.
  2. Houve grande queda de longevidade da lavoura: a lavoura que poderia ser planejada para três colheitas é hoje uma lavoura anual - com uma só safra. O investimento no plantio e condução tem que ser pago na primeira safra.
  3. A mudança da época de plantio em São Paulo de março para agosto é necessária. A melhor época de plantio do maracujá paulista sempre foi março e abril, meses em que ainda chove, e a planta já tem um tamanho bom na época  de fotoperíodo adequado para o florescimento do maracujá. A produção acontece numa época de preços muito bons, com pouca entrada da produção baiana. A antiga época de plantio de maracujá é a época da maior revoada do pulgão, o que exige a mudança do plantio para agosto com mudas maiores, para fugir da revoada do pulgão e ainda produzir na época de maiores preços. O maracujá precisa de mais de 11 horas de luz solar para florescer, demora de 30 a 40 dias na formação do botão floral e de 60 a 75 dias da antese à colheita.
  4. A muda deve ser garantidamente sadia e grande. A muda tem sido o meio mais eficiente de disseminação da virose e de outras doenças e pragas. O caminho para uma muda sadia é a sua aquisição de um viveiro registrado na Secretaria da Agricultura telado com proteção contra afídeos, fiscalizado e que utilize sementes garantidamente sadias. A utilização de mudas maiores, acondicionadas em sacos ou vasos grandes, acarreta maiores problemas radiculares, como pião torto, enovelamento, que impedem o bom desenvolvimento da planta e exige maiores cuidados e custos no plantio e condução, como covas maiores e irrigação.


 

Os técnicos presentes na reunião sobre virose do maracujazeiro realizada em Marília, em 12 de novembro de 2009, foram muito claros e firmes:

  1. As medidas de controle visam a redução dos focos de virose.
  2. A utilização de mudas sadias produzidas em viveiros protegidos e registrados na Secretaria da Agricultura é o passo mais importante. A utilização de mudas grandes, com 50 a 60 cm de altura) permite o plantio fora das épocas de maior ocorrência do pulgão.
  3. O plantio deve fugir das épocas de maior revoada de pulgão, março e abril.
  4. A eliminação das plantas doentes, na ocorrência dos primeiros sintomas, é prática obrigatória, pelo menos até o florescimento.
  5. As plantas devem ser imediatamente eliminadas após a última colheita. A planta só transmite virose enquanto está viva. Os restos de planta arrancados ou cortadas com virose não precisam ser retirados e queimados.
  6. Diferentes espécies de pulgões são responsáveis pela transmissão de viroses. O pulgão é atraído pela cor verde do maracujá, que dá uma picada de prova, transmite o vírus e segue em frente. O pulgão não se alimenta ou coloniza o maracujá, o que o torna um transmissor de virose mais eficiente pelo pouco tempo que permanece na planta.
  7. A população muito grande do inseto e a transmissão da virose por picada de prova tornam impossível o controle da virose pela eliminação do seu vetor – o pulgão. O controle químico do pulgão na lavoura do maracujá não é recomendado.
  8. A utilização de quebra vento para diminuir a entrada dos pulgões vetores da virose na área de produção é ineficaz, porque o pulgão voa em alturas superiores ao quebra vento e desce em bloco para a área de produção. O quebra vento é uma prática muito recomendada para evitar os ferimentos na planta, que permitem o desenvolvimento de microorganismos oportunistas que causam problemas como a bacteriose e a ocorrência de fricção entre os frutos e os galhos, que causa danos que cicatrizam e depreciam os frutos na comercialização.

Giselle Silva Costa e Rodrigo De Vivo, estudantes de agronomia da FAculdade Cantareira

Orientação – Anita de Souza Dias Gutierrez, Engenheira-agrônoma do Centro de Qualidade em Horticultura da CEAGESP

Última atualização ( Sáb, 12 de Dezembro de 2009 20:51 )