O abacateiro apresenta a seguinte classificação botânica:

•   Reino: Plantae

•   Divisão: Magnoliophyta

•   Classe: Magnoliopsida

•   Ordem: Laurales

•   Família: Lauraceae

•   Género: Persea

•   Espécie: P. americana Mill.

O abacateiro é uma árvore de porte médio a alto, geralmente com algo entre 12 a 25 metros quando de pé franco (plantado por semente ou caroço) e de 6 a 12 metros se enxertada; de caule cilíndrico e lenhoso, com casa aromática, rugosa na vertical e de cor cinza escuro. A copa é simétrica podendo ser espalhada ou ampla. As folhas podem ter vários formatos. Quando novas possuem uma coloração bronzeada que vai desaparecendo com o amadurecimento.

Há muita discussão quanto à origem do abacateiro, a mais provável é que seja o México onde ainda é encontrado em estado selvagem. Outros autores também consideram a América Central e o Norte da América do Sul como centros de origem. O nome abacate vem do espanhol aguacate que por sua vez de náhuati do idioma náutatle ou asteca que literalmente quer dizer testículo. Os incas do Peru o chamavam de palta ou palto e este ainda é a denominação mais comum no Peru e no Chile.

As variedades são agrupadas em 3 grupos ou raças principais, embora esta classificação tenha ficado problemática devido à grande quantidade de híbridos entre elas, alguns encontrados até no estado selvagem.

Antilhana (P. americana variedade americana): são os abacates conhecidos como “comuns” ou “manteiga”. São originários das regiões baixas e tropicais da América Central e da América do Sul. Os frutos são grandes, de formato de pera, com baixo conteúdo de óleo (menor que 8%), apresenta pedúnculo curto, casca lisa e coriácea e tendem a ser verde amarelados quando maduros e amadurecem precocemente, geralmente entre fevereiro e maio, o tempo do florescimento a floração é de 6 a 8 meses. O caroço e relativamente grande e geralmente se encontra solto na cavidade dos frutos. É a raça menos resistente ao frio. Suporta no máximo -2ºC.

Guatemalense (P. americana variedade guatemalensis): é originária das regiões altas da América Central. Os frutos possuem pedúnculo longo e a casca espessa e rugosa. O caroço tende a ser preso à polpa. Os frutos são de formato redondo. A maturação dos frutos é mais tardia, acontece entre abril e novembro, o tempo do florescimento à floração é de 6 a 8 meses. O conteúdo de óleo é mais alto que o da raça Antilhana (8 a 20%). É mais resistente ao frio que a raça Antilhana e suporta temperaturas de até -4ºC.

 

Mexicana (P. americana variedade drymifolia): é a raça nativa das regiões elevadas do México e da Cordilheira dos Andes, por isto é bastante resistente o frio, suportando até -6ºC. Os frutos são pequenos, com alto teor de óleo (maior que 20%), a casca é fina e lisa e o caroço é relativamente grande em relação à polpa. O fruto apresenta formato de pera. As folhas possuem aroma de anis.

As flores do abacateiro são pequenas, hermafroditas, brancas ou verde-amareladas com 0,5 a 1,5 cm de diâmetro, são produzidas em grandes quantidades e dispostas em panículas terminais nos ramos mais novos. Apesar de ser hermafrodita, uma característica da flor do abacateiro é que a maturidade do pistilo (parte feminina) não corresponde temporalmente à deiscência das anteras (parte masculina) de modo que para haver fecundação e consequentemente produção satisfatória de frutas, a flor precisa ser fecundada por pólen proveniente de outro individuo com comportamento floral distinto. De acordo com a abertura floral os abacateiros são agrupados em dois grupos: A e B. O grupo A compreende as variedades que o estigma está receptivo no período da manhã e as anteras ficam fechadas ao mesmo tempo e, portanto não há liberação do pólen para a fecundação. Nas variedades do grupo B a abertura da parte feminina ocorre após o meio dia, que fecha ao entardecer, quando as anteras já estão fechadas. A obtenção de alta produção de frutos exige que o pomar seja constituído de variedades do grupo A e B.

O primeiro relato, sobre a presença de abacateiros no Brasil, é de 1787, pelo naturalista Alexandre Rodrigues que os encontrou às margens do Rio Negro. A primeira introdução oficial se deu em 1893,   quando quatro árvores provenientes da Guiana Francesa pertencentes à raça Antilhana, a mais tropical de todas, foram ofertados a Dom João VI e plantadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Estes pés forneceram as primeiras sementes da espécie para o Brasil. Em São Paulo acredita-se que a cultura tenha se iniciado no Vale do Paraíba no século XIX e depois para as cidades importantes da época, como Campinas, Tietê, Porto Feliz, Itu, Capivari e Piracicaba. Estes primeiros abacateiros eram predominantemente da raça Antilhana.

Foram trazidas pela Universidade Federal de Viçosa (MG), em 1925, as primeiras cultivares das raças Guatemalense e Mexicana ao Brasil pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Mais duas novas partidas chegaram em 1929, metade para a Universidade de Viçosa e a outra parte para a Estação de Pomicultura de Deodoro (RJ) e posteriormente para a empresa de mudas Dierberger de Limeira. Os cruzamentos naturais, produto do encontro do primitivo abacate guatemalense com as novas raças introduzidas, deu origem a uma enorme diversidade genética em terras brasileiras. Boa parte dos abacateiros era propagada através de sementes e a autopolinização é baixíssima na espécie. Muitas das atuais variedades são seleções de árvores originadas de cruzamento naturais.

Principais variedades comercializadas na CEAGESP

Breda

A variedade Breda se originou na década de 30, quando Antonio Breda, funcionário da Estação Experimental de Limeira do Instituto Agronômico de Campinas, semeou várias sementes em um pomar de sua casa, no bairro de Cascalho no município paulista de Cordeirópolis. O seu filho, Natalino Breda, também funcionário do Estado e viveirista, observou a produção inicial das plantas durante vários anos e selecionou uma que produzia frutos tardios e de casca lisa e verde, bem aceita pelo mercado. Propagou inicialmente a planta selecionada por enxertia e fez um plantio inicial no seu pomar. Somente vários anos após cedeu mudas alguns produtores, que multiplicaram a variedade, que é hoje uma das principais variedades tardias de abacate. O Breda é do tipo A, possível híbrido das raças Antilhana e Guatemalense e apesar de ter alto valor comercial, tem o problema da produção alternante entre anos. O formato é piriforme, com formação de “pescoço”. Na CEAGESP o pico da entrada do ‘Breda’ acontece nos meses de setembro, outubro e novembro.

 

Fortuna

O abacateiro Fortuna é uma árvore muito vigorosa e pertence ao grupo floral A, sendo um híbrido das raças Antilhana e Guatemalense. Surgiu em Campinas na década de 60 propagada pelo viveirista Armindo Benati. Os frutos são muito grandes, com peso entre 600 e 1000 g, piriformes, de casca lisa e verde escuro, polpa amarela e caroço solto). O conteúdo de óleo é por volta de 8%. Na CEAGESP o pico de entrada ocorre entre março e junho

Geada

Também conhecido como ‘Barbieri’ ou ‘Limeirão’, foi selecionado a partir de um pé franco no município de Artur Nogueira no Estado de São Paulo. Pertence à raça Antilhana e ao grupo floral B. O fruto também é piriforme a ovalado, sem “pescoço” de um verde mais claro que o ‘Fortuna’, a polpa é amarela com a semente aderente. O conteúdo de óleo é bastante baixo, por volta de 3,5% e a maturação bastante precoce. Na CEAGESP os meses de janeiro e fevereiro são os que mais registram a entrada da cultivar.

Margarida

Surgiu de um pé franco selecionado na propriedade de Miguel Makiyama em Arapongas no Norte do Estado do Paraná. O nome foi dado em homenagem à esposa do Senhor Makiyama. A cultivar apresenta várias características da raça Guatemalense, como folhas novas com coloração arroxeada, frutos redondos e de casca rugosa, a polpa é verde clara e o caroço pequeno. A maturação é tardia, o pico de entrada na CEAGESP acontece nos meses de setembro, outubro e novembro, ainda com razoável entrada em dezembro. Segundo o atacadista da CEAGESP Bonella é a cultivar preferida dos compradores distantes, já que apresenta ótima resistência pós-colheita.

Quintal

Híbrido das raças Antilhana e Guatemalense, pertence ao grupo floral B. Originário de um pé franco do sítio da família Quintal no bairro do Cascalho em Cordeirópolis (SP). Os frutos são grandes, pesam entre 500 e 900 g, a casca verde clara, lisa, a polpa é amarela e o caroço aderente à polpa. O formato é bastante piriforme, com “pescoço” bastante proeminente. O período de maior entrada do ‘Quintal’ na CEAGESP é de março a julho, ainda com boa entrada em agosto.

Centro de Qualidade em Horticultura da CEAGESP

Gabriel Vicente Bitencourt de Almeida